CleanTec
Configurar, executar, comparar: desenhando o controle de higienização da Cleantec
Atuei como UX/UI Designer no time da UEEK, em parceria com a Epicora, responsável pelo desenvolvimento do sistema. Fui responsável pelo processo de discovery com o pessoal da Epicora e da Cleantec, até a criação dos wireframes, do design system e das interfaces finais.

Uma operação crítica, sem controle nem espelho
A Cleantec do Brasil é referência em higienização industrial e segurança de alimentos desde 1994. Ela entra dentro de indústrias de alimentos para controlar limpeza, consumo de produtos químicos e análises microbiológicas, processos onde uma falha vira risco de contaminação e reprovação em auditoria. Um dos clientes atendidos é a GTFoods, exportadora de proteína para mais de 70 países, para quem cada auditoria de segurança de alimentos é crítica.
Antes do sistema, esse controle vivia em planilhas Excel, uma por cliente, preenchida à mão, sem conexão com o estoque e sem rastreabilidade confiável. Mas o problema não era só a planilha em si: era a falta de espelho entre quem define o processo de higienização, a Cleantec, e quem precisa acompanhar se ele está sendo cumprido, o cliente. Cada lado enxergava uma parte da operação, nunca o todo.
Entendendo a operação com quem vive o processo
Começamos com reuniões para entender o processo de trabalho da Cleantec e identificar os gargalos da operação. O ponto central era claro desde o início: tudo vivia na planilha. Mas destrinchar um processo inteiro de planilha em requisitos de sistema não foi trivial. Foi preciso entender cada regra, cada exceção e cada etapa que a Cleantec seguia na prática, para então sintetizar isso em fluxos que fizessem sentido em tela. Com base nisso, ajudei a criar fluxos para apresentar e validar com a Epicora e a Cleantec antes de começar a desenhar qualquer interface.
Duas frentes, uma mesma visão
O sistema foi dividido em duas frentes: a área do admin, referente à Cleantec, e a área do cliente, referente à empresa que contratava os serviços de higienização, como a GTFoods. Também desenhei uma visualização em que o admin da Cleantec enxerga o mesmo painel que o cliente vê, garantindo que ambos os lados acompanhassem a operação com a mesma informação, resolvendo justamente a falta de espelho identificada no início do projeto.
O coração do sistema: o fluxo de turnos de limpeza
O maior desafio de design foi o fluxo de turnos de limpeza, a função central do sistema. Nele, tanto o admin quanto o cliente configuram os setores da empresa, os tipos de processo de limpeza a serem executados e as quantidades de produto a serem usadas. Depois de cadastrado, o executor da limpeza registra esses pontos durante os turnos. Essa estrutura em duas etapas, configuração e execução, permitiu ter controle total do processo, comparando o que foi definido com o que de fato foi executado.

Wireframes, design system e entrega
Com o escopo definido, comecei o desenho das interfaces explorando wireframes, que levei para a Epicora avaliar a viabilidade de desenvolvimento das ideias antes de partir para a interface final. Com os wireframes validados, iniciei a criação das interfaces em paralelo à configuração de um design system, criado para padronizar as telas e acelerar o processo de produção.





O resultado
O sistema, batizado de Smart CleanControl, foi entregue em julho de 2026 pela Epicora, responsável pelo desenvolvimento, com o design de experiência e interface que criei sustentando o dia a dia de quem configura e de quem executa a limpeza. Em um único mês, mais de 460 análises microbiológicas passaram a ser registradas, cruzadas e rastreadas num painel só, cobrindo quatro unidades da GTFoods, a mesma operação que antes vivia espalhada em planilhas soltas.
A validação não veio só de dentro: a Cleantec passou a apresentar o Smart CleanControl na Mercoagro, uma das principais feiras de tecnologia da indústria de carnes, como vitrine da própria inovação. O diretor de operações da Cleantec chegou a comparar o resultado com o de fornecedores muito mais consolidados no mercado, dizendo que eles não tinham entregado nem perto do que este projeto entregou.
O que aprendi no processo
Esse foi o primeiro projeto em que apliquei um design system inteiro dentro da UEEK, e a experiência me mostrou na prática o quanto isso acelera a criação de interfaces, principalmente em sistemas com muitas telas interligadas como esse.
O maior desafio, no entanto, não foi visual: foi entender todos os requisitos que o sistema precisava, destrinchar um processo que a Cleantec seguia inteiro numa planilha e sintetizar aquilo em interfaces e fluxos que fizessem sentido pra quem configura e pra quem executa a limpeza. Foi complexo, e demandou muita validação até chegar num fluxo que representasse a operação real, não uma versão simplificada dela.


