Itaú

2026

Plataforma IME

UX/UI Designer no time da UEEK, em parceria direta com a equipe do Itaú. Responsável pela criação do Design System (WCAG AA), pelo desenho completo da área do gestor e pela prototipação de alta fidelidade. As validações e decisões estratégicas foram conduzidas em conjunto com PMs, outros designers e stakeholders do programa.

Setor

Financeiro

Período

2025–2026

Ferramenta

Figma

Atuação

UX/UI Designer

Setor

Financeiro

Período

2025–2026

Ferramenta

Figma

Atuação

UX/UI Designer

O programa que cresceu rápido demais

A Plataforma Itaú Mulher Empreendedora nasceu para apoiar o desenvolvimento de mulheres empreendedoras, reunindo conteúdo, cursos e oportunidades em um único ambiente digital. Em 18 meses, saiu de 10 mil para mais de 50 mil usuárias ativas, um crescimento que a experiência digital existente simplesmente não estava preparada para sustentar. Sustentar essa confiança digital importava diretamente para o negócio: um programa que já movimentava a marca do Itaú com 50 mil empreendedoras ativas não podia continuar rodando numa experiência que não refletia a solidez do banco. O risco real era o descompasso virar atrito de retenção justamente na fase em que o programa mais precisava reter quem já tinha entrado.

O descompasso entre conteúdo e experiência

O conteúdo era excelente. A experiência, não. Três problemas de design impediam a plataforma de gerar o impacto que o programa merecia: arquitetura de informação confusa dificultando a navegação; um visual desatualizado que não transmitia a solidez do Itaú; e falta de padronização entre páginas, gerando retrabalho constante e inconsistência para quem usava.

Pesquisa sem orçamento para pesquisa

O projeto tinha restrições reais: diretrizes de marca do Itaú a seguir à risca, e prazo/orçamento que não permitiam entrevistas diretas com as empreendedoras. Em vez de tratar isso como um bloqueio, transformei a própria equipe do programa IME em fonte primária de insight: elas viviam as dores das usuárias todos os dias e se tornaram a ponte entre negócio e usuária final.

Isso significou três frentes de trabalho em paralelo: mergulhar no brandbook e nos outros produtos digitais do banco para mapear padrões visuais e limites institucionais; rodadas constantes de validação com as responsáveis pelo IME, que traziam as dores reais e ajudavam a priorizar a arquitetura de informação; e leitura fina do contexto do programa para construir uma persona funcional das empreendedoras, mesmo sem contato direto com elas.

Da exploração ao Design System

Na primeira exploração visual, propus uma home mais editorial: tipografia grande, espaços generosos, tom aspiracional. Visualmente, funcionava. Estrategicamente, não: a equipe do IME apontou que a proposta destoava demais dos outros produtos do banco, que tinham densidade de informação maior e linguagem visual mais sóbria.

Foi um aprendizado direto: naquele contexto, inovação precisava ser incremental, não disruptiva. Recalibrei o design com base em análises heurísticas e nas referências de produtos do Itaú indicadas pela própria equipe. Foi esse realinhamento, não a ideia original, que abriu caminho para a fase seguinte.

Construindo o Design System do zero

Com a direção visual validada, assumi a criação do Design System que sustentaria a escala da plataforma de cursos e das demais páginas. Dois desafios concretos:

  • Criar componentes que parecessem nativos do ecossistema Itaú, sem acesso a um Design System oficial do banco para referência;

  • Garantir conformidade com o nível AA das diretrizes de acessibilidade WCAG desde a fundação, não como camada extra depois.

Usei ChatGPT e Claude como apoio ativo nesse processo, padronizando nomenclatura de componentes e auditando contraste e acessibilidade em escala, o que teria sido muito mais lento manualmente. Só depois de validar essa fundação com a equipe é que avancei para o desenho das telas.

A área do gestor

Fiquei responsável por toda a experiência de gestão da plataforma, uma área que precisava dar conta de níveis de usuário e operações bem diferentes entre si: do acompanhamento de métricas à publicação de conteúdo e gestão de cursos.

O que ficou pronto

Design System completo: biblioteca de componentes escalável e acessível (WCAG AA), alinhada ao ecossistema visual do banco;

  • Área do gestor: interfaces de dashboard e gestão de conteúdo desenhadas para escalar a operação sem a equipe do IME depender de mim para cada ajuste;

  • UI final: telas de alta fidelidade que colocaram a experiência digital do IME no mesmo nível de solidez do restante do Itaú, atendendo as mais de 50 mil usuárias que o programa já tinha.

O design das interfaces foi validado com a equipe do IME em duas rodadas de apresentação: a primeira cobriu os fluxos do site e a área do gestor, aprovados com poucos apontamentos de ajuste; a segunda, focada na área da empreendedora, teve apoio meu na apresentação. Foi minha primeira vez apresentando para um cliente desse porte, e fechar o design com poucos ajustes logo na primeira rodada foi a validação mais concreta que tive de que a recalibração feita depois do aprendizado sobre inovação incremental tinha sido a decisão certa.

O que essa restrição me ensinou

Trabalhar com uma instituição do porte do Itaú me ensinou a defender decisões de design com diretrizes e dados, não só com opinião. Construir um Design System do zero, sob restrições severas de marca e acessibilidade, elevou meu padrão técnico de forma permanente: hoje aplico essa mesma disciplina de padronização e documentação em qualquer produto em que entro.